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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

4a Etapa do Circuito Ilhabela 2009 - Regata Peter Blake


Montecristo tomando agua em mar de quase 3 metros

Orson e Jazz cruzando a linha com um minuto de diferença depois de 6 horas de regata

largada da volta a ilha

Neste sabado corremos, com muito mar e ventos de E a SE de 10 a 23 nós, a regata Peter Blake Volta a Ilha, a regata longa (52 M) desta última etapa do Circuito Ilhabela. Veio se agregar a nossa flotilha da semana passada e ameaçar as chances do Montecristo de fita azul, o BC 47, Land Rover.
Na Largada na Ponta das Canas, dada com meia hora de atraso, as 11 horas, o vento estava de NE (abraçador)de uns 14 nós e com forte correnteza de sul.
Largamos com velocidade, um pouco abaixo da flotilha e logo cambamos para a Ponta das Canas, junto com o LandRover, que bem maior, logo começou a abrir. O ASA, por baixo de nós, tambem nos ultrapassou, bem junto a Ponta. O Montecristo seguiu muito em frente com a correnteza e passou bem por fora da ponta, agora tendo enfrentar de frente a correnteza que abraçava a ilha. O Jazz nos seguia de perto, um pouco atrás. Na medida que saímos do canal, o vento rodou para Leste e depois, já na altura do Poço, se estabeleceu de SE e a correnteza abraçadora aumentou. Resolvemos orçar bem junto a ilha, tomando altura com bordos curtos. O Montecristo passou por fora, enquanto nos acompanhavam a distancia o Jazz e o 40.7, Fram. Em um desses bordos, no momento da rondada para SE, o Jazz e o Fram alongaram demais o bordo e perderam contacto conosco, ficando para trás.
Nessa altura, já na sombra da Ilha de Buzios, o vento caiu um pouco e o mar começou a subir muito, com ondas de mais de 2 metros. O vento logo voltou para os mesmos 15 nós, depois da ilha da Serraria e o mar continuou a aumentar. Viamos, de longe, o Montecristo, que alcançara o Landrover, se aproximar da ponta próxima ao Sombrio e o ASA, mais atras, a 2/3 do caminho. O Jazz e o Fram, mais atras, nos seguiam a alguma distancia. Já na frente, na altura da Sepituba, o Montecristo descobriu que, com o mar grosso que a cada onda cobria a sua proa, estava fazendo agua pela abertura do gurupes. Tendo já tomado mais de 5000 litros de agua, foi obrigado a tomar a decisão de abandonar a regata e retornar. O Landrover, logo subiu o spi e desapareceu atras da Ponta do Boi, enquanto avançavamos em um mar de ondas bem curtas e altas (alguamas de quase 3 metros). Alguns minutos depois foi a vez do ASA de subir o spi e tambem desaparecer.
Na Sepituba o vento começou a aumentar e nós arribamos para o Boi. O Jazz nos seguia a um bom quarto de milha atras. Pouco antes do Boi subimos o balão e começou a baloada desenfreada. Como sempre acontece naquelas paragens, o vento subiu para uns 24 nós e nós, com adrenalina la em cima, pegavamos interminaveis jacarés naquelas ondas enormes. A cada tantas ondas, numa maior que se combinava com a rajada, planavamos com a proa toda fora d´água, lançando jatos de espuma perto da popa, a mais de 13 nós de velocidade. O Jazz virou a ponta e já vinha nos seguindo de balão, acompanhando bem a nossa velocidade. Depois de uma boa meia hora de muita adrenalina, vimos o Jazz jaibar para a ilha em direção ao Bonete. Pensamos em segui-lo, mas não, a baloada estava perfeita e a tatica de seguir junto a ilha raramente vale a pena, pois o vento costuma acabar la perto do Navayorqui, encoberto pelas montanhas. Melhor seguir por fora. Continuamos por fora, só jaibando no lay line da Ponta da Sela e mesmo assim nos mantendo bem abertos da terra, para nos manter afastados da esperada parada de vento. O Jazz vinha bem. Tinha mais vento lá do que haviamos previsto. Não parou no Novayorqui. O SE não ficava tão encoberto pelas montanhas. Estava definitivamente com menos vento e mais lento, mas se não parasse ia ter que percorrer uma distancia muito menor do que nós. Menor o suficiente para comer a nossa vantagem.
Vimos em fim, bem longe na frente, o Landrover sem balão entrando no canal, com pouco vento pelo lado de São Sebastião e o ASA orsando, completamente encalmado, do lado de cá do canal. Nossas duvidas pareciam resolvidas, o Jazz ia parar. Arribamos ainda mais para nos afastar de terra e da parada de vento.
O Jazz porem não parou na primeira ponta, nem na segunda, só foi parar lá junto da Sela e la ficou boiando ainda de spi na última ponta para a entrada do canal.
Quando nós achamos que tinhamos contornado a parada de vento, tiramos o balão e começamos a orçar para o centro do canal. Tudo ia bem, já estavamos entrando no canal pelo meio, com a correnteza a favor e a chegada a vista e no lay line, quando o vento tambem parou para nós e ficamos nós e o Jazz boiando sem vento por uns bons 20 minutos a menos de meia milha da linha. Enfim uma rajada do canal (NE) entrou, nós já orçando, a pegamos primeiro, mas ela logo pegou tambem o Jazz, que tambem já vinha se preparando para ela, e começamos os dois a nos mover em direção a linha. Nós vinhamos mais orçados e de um pouco mais longe e eles mais arribados e com um pouco menos de distancia a percorrer. Logo deu para ver que eles cruzariam na frente. O Jazz cruzou um minuto na nossa frente, na mais rapida volta a ilha da historia. O Landrover que foi fita azul a fez em aproximadamente 5:15 horas.
No tempo corigido o Jazz, que tem rating melhor que nós, ficou dois minutos na nossa frente, ganhando a regata. Nós ficamos em segundo ganhando do Landrover por tres minutos e meio e do ASA por sete minutos.
Foi uma linda regata, cansativa, com muito mar e quase 6 horas de regata de muita adrenalina. Foi um belo treino para Punta del Este.
O Jazz está de parabens. Velejou muito bem, fez uma aposta arriscada e conseguiu tirar proveito dela.
Com esse resultado nós vencemos a 4a Etapa e ficamos em segundo no Circuito Ilhabela de Vela de Oceano 2009, que foi vencido por antecipação pelo Touche. O Loyal ficou em terceiro. Nós tres nos encontraremos de novo breve representando o Brasil no Circuito Atlantico Sur em Janeiro e talvez tenhamos a boa surpresa de ter lá tambem o mais novo irmãozinho Malbec, o Lucky II.

terça-feira, 16 de junho de 2009

2a Etapa Mitsubishi Cup 2009 "Warm up"
















nas fotos: acima o Touche o grande vencedor e o S40 Patagonia, um show a parte. Nós indo para os Moleques, depois da encalhada. Alguem parece querer ir para casa! O Jazz dando canseira no Loyal. Abaixo, na largada, o Jazz na juria, já camba para S. Sebastão enquanto o Orson no fim da linha larga vela direita



Warm Up? Brrrrrrr!!! Arrghh!!!!



Ontem terminou o wam up da semana de vela, depois de dois dias frios e chuvosos e um com sol, mas gelado e em fim um dia lindo, mas de pouco vento. Nós, com uma tripulação desfalcada e um tanto desorganizada (mea culpa, mea máxima culpa), demos um show do que não fazer na Semana de Vela.
Na primeira regata, foi sorte que a comissão retardou e tinha vento (sul de 14 nós), mesmo assim nós quase não chegamos para a largada, pois surpresa! Estávamos sem diesel e o posto junto ao clube também estava sem.
Fomos velejando para a raia e demos uma boa largada, mas não sei por que cargas d’água resolvemos ficar pelo lado da ilha, onde parecia ter mais vento, mas acabamos por enfrentar uma corrente de ao menos uns tres nós. Vimos que tinha corrente, mas subestimamos sua força. O Jazz, que largou muito bem na juria e cambou direto para São Sebastião e o raso, chegou na bóia 9 minutos a nossa frente. Passamos a fazer então uma regata de recuperação. O barco estava andando muito (casco recém pintado e velas novas), tiramos 2 minutos no popa, depois de um jibe set acertado, aproveitando bem a correnteza do canal. No segundo contra vento, velejando livres e dessa vez para o lado certo, tiramos outros 3 minutos. No ultimo popa, repetindo a mesma tática, tiramos mais 2 minutos. Era o fim da regata. Conseguimos, apesar de tudo, garantir um 4º lugar, ainda 2 minutos atrás do Jazz, ganhando do Loyal, que nessa regata andou muito mal. Ao voltar ao clube (a vela) nossa amarra tinha sido cortada por uma lancha e tivemos que nos amarrar no barco ao lado e esperar o mergulhador recuperar a amarra. Mal amarramos, antes que pudéssemos sair do barco, caiu uma chuva torrencial. Chegamos na canoa de cerveja tarde (já havia pouca) e encharcados.
O segundo dia amanheceu ainda mais fechado e estávamos decididos a ir à forra. O vento continuava de sul de uns 15 nós, mas a previsão era de entrar de oeste e apertar. Largamos junto com o Loyal na juria, mas estouramos os dois a largada (a corrente ainda estava forte, mas tinha diminuído significativamente). Voltamos e cruzamos novamente, vela direita, indo direto para o raso, atrás do Jazz, que tinha largado limpo. Chegamos nele nos bordos no raso do lado de São Sebastião. Estávamos andando mais, acho que nossas velas novas fizeram a diferença, e entramos na bóia quase juntos. Como na véspera, fizemos um jibe set que nos colocou melhor posicionados que o Jazz, que subiu o balão sem jaibar e começamos a abrir. A bóia tinha sido mudada para junto do Pequeá e lá chegávamos com uma boa vantagem, quando antes de jaibar para ela, velejamos para fora da rajada. O Jazz vendo nossas dificuldades, jaibou cedo e encurtou bem a distancia, fazendo a bóia logo atrás de nós. No contravento voltamos a abrir e no ultimo popa mantivemos a diferença, chegando quase um minuto e meio a frente, garantindo outra vez o 4º lugar (dessa vez o ASA estava na raia).
Como previsto, o vento aumentou e virou para oeste, entre as regatas(daí a mudança da bóia) e a temperatura caiu uns 5 graus. Que frio! A largada da segunda regata foi dada com uns 20 e poucos nós de oeste, para fazer 6 pernas curtas, com a bóia bem para o lado de São Sebastião. Nós começamos a nos posicionar. Jaibamos há pouco menos de 1 minuto para a largada. Nesse jaibe, uma distração nos custou a continuidade do campeonato. A genoa não foi caçada a tempo e se enroscou no estai de proa. Buscando safá-la, demos uma caçada brusca e a tala quebrou o headfoil. No momento, no meio da confusão e da irritação de perder o tempo da largada, não vimos o estrago e mesmo atrasados, largamos. Ao subir o balão na bóia e baixar a genoa, percebemos que não conseguiríamos içá-la novamente. Seguimos de balão até a bóia, mas não havia como continuar. Desanimados, abandonamos e voltamos para o clube.
O head foil não tinha concerto! Fizemos uma gambiarra que permitia içar a vela com muito cuidado, mas seria impossível correr uma barla sota. Encomendamos outro para a Semana de Vela. Já sabendo que estávamos fora do warm up, começamos a torcer para que desse ao menos para fazer a regata de percurso, mesmo que a re-içada de genoa nas Canas fosse problemática.
No dia seguinte amanheceu frio, com sol e ventinho de SE. Será que vai ficar ou vai virar para Leste? Para nosso desespero, a juria chegou a ameaçar um barla sota. Não, vai ser o percurso mesmo. Oba!
Largamos vela direita na bóia e depois de passarmos por uma popa, estávamos livres, indo direto para o lado de São Sebastião e o raso (a correnteza tinha aumentado e estava de novo muito forte). O Jazz tinha largado muito bem na juria e seguia a nossa frente, muito bem posicionado junto ao Sony. O ASA, que tinha largado ainda melhor, estava a frente de todos (depois ficamos sabendo que estava estourado). O Touche, o Loyal e os 2 Sotos estavam todos embolados a nossa frente. Éramos os últimos, mas estávamos todos bem juntos. Nos primeiros bordos no raso o Jazz aproveitou seu calado menor para entrar mais e, fora da corrente, começou a levar vantagem sobre os grandes. Nós o seguimos e começamos a encostar. O Jazz ao dar o bordo tocou o fundo, mas não parou e seguiu em frente, de volta para o canal. Nós, depois de passar pela altura onde o Jazz tocou o fundo sem tocar, vimos a profundidade voltar a aumentar e resolvemos seguir em frente, apesar da maré estar ainda baixa, para tentar assim aproveitar ao maximo a correnteza mais fraca do raso. Sabíamos que agora só daria para voltar para o canal bem mais junto ao cais da Petrobras, depois de passados os bancos de areia. O barco andava muito e as rajadas no lado de São Sebastião estavam mais fortes e começamos a ganhar significativamente sobre o Jazz e sobre os barcos maiores. Chegamos até o limite de profundidade da quilha (alguém lembrou que devíamos estar assustando os Prego-aí), já bem em terra e demos o bordo. Estávamos ganhando cada vez mais. Quando chegamos perto dos bancos de areia, já estávamos a frente da flotilha. Agora tínhamos que dar outro bordo para a terra, ir até o limite e ai um ultimo bordo para a saída, depois do ISO. Tomara que a profundidade aí já seja suficiente para sairmos a frente da Flotilha. Era uma aposta arriscada, mas valia a pena. Quando já estávamos para dar o bordo, uma rajada mais a frente nos fez exitar e em um segundo a aposta foi por terra (em todos os sentidos). Encalhamos feio. Os barcos da flotilha foram passando um a um, enquanto nós inclinávamos o barco ao máximo e com a força do vento, tentávamos safá-lo. Umas duas ou três vezes ele se safou e encalhou de novo, até que encalhou de vez e só se movia escorregando de lado sobre o banco de areia. A regata tinha acabado! Ligamos o motor para ajudar e mais ou menos uns 15 minutos depois, em fim nos safamos. A flotilha já ia para lá do Píer da Petrobras. Nós os seguimos agora de longe, no meio de HPEs e da ORC 700. Apenas para aproveitar a velejada, fomos até o Moleque e voltamos de balão até o clube.
Para nós no domingo não haverá regata. Terminando por aí o Warm Up.
O Jazz, nosso irmão gêmeo, fez um ótimo campeonato, garantindo o 4º lugar e mantendo a tradição dos Malbec 36. Para nós, como já disse, o Wam up foi uma ótima oportunidade para experimentar as velas novas (o barco está muito rápido) e para fazer e quebrar as coisas que não podemos fazer nem quebrar na Semana de Vela. Uma espécie de exorcismo. Bem, ao menos assim eu espero!!.