sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Circuito Rio 2009

O Circuito começou essa 6a feira com um dia radioso. Uma 11 horas o SE começou a entrar na raia da Escola Naval na baia de Guanabara, enquanto nós saiamos do ICRJ. Quanto chegamos na raia já estava com uns 12 nós e aumentando. Perfeito para o Orson.
Passamos pela juria e subimos a genoa velejando vento acima para regular o barco, com a vista maravilhosa da baia em dia de sol como pano de fundo. Derrepente - Olha eles subiram a bandeira azul é 4 minutos. Acostumamos tanto com a sinalização pelo radio que fazemos na ilhabela que perdemos o tiro. Soltamos as velas e vamos direto para a linha. Cruzamos com o Sorsa e o Touche largando, mergulhamos e largamos vela direita uns 20 segundos atrasados logo atras da flotilha mas bem perto. Pegamos altura e vamos atras do Miragem para o meio do canal, usando a ondulação como guia, pois a maré já está começando a vazar contra o vento. Creio que acertamos o braço de maré onde ela já está mais forte, pois estamos andando muito rapido e apesar da largada atrasada estamos junto com os 40.7. Chegamos na boia já na frente do Miragem e grudado no Bijupirá que ao subir o balão sai orsando atras do veleiro logo a sua frente. Nós subimos o balão e arribamos e logo jaibamos para sair da corrente. Quando a velocidade aumenta jaibamos novamente e vamos quase para a boia. Os 40.7 não abrem ao fazer a boia estamos orsando junto com eles. Só o Zeus que abriu um pouco. Mas para chegar neles aproveitamos uma ultima rondada no vento, mas que nos forçou a mudar na ultima hora a manobra de recolher o balão e no afã de tira-lo ele se rasgou. Agora vamos ter que terminar o dia com o balão menor. Na segunda volta a maré já está vazando por igual e o vento apertou para uns 15 nós. Conseguimos velejar mais ou menos livres acompanhando de perto a flotilha sem deixa-la se distanciar, ficando inclusive um dos 40.7 da marinha para traz. A tripulação estava se entendendo bem tirando bom proveito do barco sem erros de manobra. A juria largou uma segunda largada logo após o final da primeira. De novo tivemos dificuldade para largar. O Netuno Espress vindo de traz fechou a porta para nossa largada na juria. paramos o barco esperamos que cruzasse e entramos atras meio sem velocidade. Aproveitamos porem para dar o bordo para a direita, indo até a Escola Naval. Como da outra vez não nos saimos tão mal pois o lado estava favorecido e chegamos na boia junto com os 40.7. O vento tinha aumentado mais um pouco e fizemos um otimo popa mantendo a distancia e o mesmo com a orsa seguinte. Ao final do segundo popa tinhamos passado dois barcos, mas erramos aí a tirada do balão.Este caiu na agua na frente do barco se enrroscando na proa, nos fazendo perder alguns bons minutos para desenrrosca-lo permitindo que os barcos nos passassem de novo e que os ponteiros se distanciassem. Mas mesmo assim foi uma boa regata. Corrigimos na primeira regata em segundo atras do Zeus. Na segunda que provavelmente teriamos ganho não fosse o problema com o balão corrigimos em 4o lugar. Com o 4o lugar na Santos Rio estamos em 2o a frente do Ventaneiro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Terceira Etapa da Copa Mitsubishi Motors Circuito de Ilhabela de Vela de Oceano

O Orson se despedindo do farol dos moleques

Sabado passado corremos, em protesto ao desastrado projeto de expansão do porto de São Sebastião, a regata de percurso "Despedida do Farol dos Moleques". O projeto de expansão do porto, onde se preve a implantação de um gigantesco terminal de containers, com um enorme impacto sobre a estrutura viaria e sobre o proprio uso multiplo do Canal de São Sebastião, está colocando a comunidade e particularmente os velejadores, que sempre buscaram seu uso sustentavel, em polvorosa. O projeto preve que o farol dos moleques, marco tradicional da entrada sul do canal, seja engolido pelo novo terminal.

A regata foi boa, com um ventinho sul de 10 a 15 nós, sendo que na parte final da regata o vento apertou um pouco e a corrente de sul tambem aumentou bastante e acabou por ter um papel significativo nos resultados.
Largamos as 12:30, todas as classes juntas. Depois de um aperto junto a juria, a um minuto do tiro, quando o Jilick entrou de paraquedista e quase pos tudo a perder, acabamos por largar bem, com velocidade. Isso permitiu que cruzassemos vela direita, a frente da flotilha, quando cambamos para São Sebastião e passassemos folgado a frente do navio que estava estacionado ali perto. O Sessentão ia a frente andando bem, seguido pelo Montecristo e o Touche disputando entre si a dianteira, nós menores, vinhamos logo atras, abrindo rapido do resto da flotilha.
Já do lado de São Sebastião começamos a bordejar junto ao raso. O Sessentão, menos manobravel, pegou mais corrente e começou a atrasar, deixando o Montecristo e o Touche disputando a ponta, enquanto nós encostavamos.
Passamos o pier da Petrobras e a regata seguiu sem novidades até o farol. O primeiro a contornar foi o Touche, seguido do Montecristo, mais atras o Sessentão e um pouco mais atras o Orson. A diferença entre nós e o Touche não era pequena mas era proxima da diferença de rating (os outros dois são muito grandes e pagam muito, tendo poucas chances contra nós).
Na volta de balão encostamos nos dois grandes que demoraram para jaibar e encostaram na ilha, nós jaibamos no meio do canal, com mais corrente favoravel, e seguimos o Touche, que continuou abrindo. Bem atras vinham com mais vento o Jilick e um bando de Delta 32 e o Optimistic. Fizemos e seguimos os ponteiros para o lado da Ilha, o mesmo fez o Jilick atras de nós, mas os deltas foram para o raso em São Sebastião, onde a correnteza é menor.
Este era o lado correto, pois a correnteza tinha aumentado significativamente e nós não aproveitamos nossa única chance de alcançar o Touche no corrigido.
O Touche ganhou sem problemas mais de 1 minuto e meio a nossa frente no corrigido. Nós ficamos em segundo e o Montecristo em terceiro bem atras (o Sessentão não está medido). Os deltas que acertaram o lado se deram bem o Fantasma que ganhou a ORC 600 e o Realizado que chegou em segundo, cruzaram encostados no Jilick que até ali estava longe na dianteira; o Asbar ficou em 3o. Os deltas da RGS tendo acompanhado os da orc ganharam a classe, o Anequim ficou em primeiro seguido do Blue Too e BL3 (esse corrigiu em segundo).
A regata foi boa mas sofremos muito por não ter nenhum parametro, pois os barcos velejaram ou muito a nossa frente (muito maiores) ou muito atrás e é dificil velejar assim. O Jazz e os Beneteau 40.7 e até mesmo o Sony e o ASA, que apesar de racers velejam mais perto de nós, fizeram muita falta na raia.
No domingo com muita chuva e pouco vento as regatas foram canceladas. Ficando só a festa e a entrega de premios. Na nossa classe ficou sem novidades, ganhou o Touche, seguido do Orson e do Montecristo. Na ORC club ganhou o Realizado, seguido do Fantasma e do Optimistic. Na RGS ganhou o Jilick seguido do Anequim e do Jambock.

Bom agora é se preparar para a Santos Rio e o Circuito para ver se ganhamos dos Beneteau cariocas.


Tripulação do Touche e do Orson recebendo os seus premios

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Terceira Etapa da Copa Mitsubishi Motors Circuito de Ilhabela de Vela de Oceano


Nas fotos Sessentão persegue o Touche de balão e o Orson atras deles.

Este sabado iniciou-se a terceira etapa da Copa Mitsubishi Motors. Com vento de leste, variando entre 12 e 20 nós de velocidade, as regatas foram disputadas fora do Canal de São Sebastião, próximo à Ponta das Canas, no norte da ilha. As provas começaram com sol, enfrentaram nuvens pesadas e uma rápida garoa para atenuar o dia abafado. A organização recebeu a inscrição de 34 barcos.
A classe orc internacional, com a ausencia do Loyal e do Jazz, contava com poucos barcos: o Touche um BC 46, lider inconteste do Circuito e vice campeão da RISW, nós do Orson e o Timberland de Ubatuba, um cruzeiro rapido de 52 pés, usualmente fregues e a eles veio se juntar o Sessentão, de 60 pés, do comandante Alain Simon. Um cruzeiro rapido supermoderno, design Nacira, fabricado em Indaiatuba. O Sessentão não estava medido correndo experimentalmente.
O problema desta situação é que nós ficamos totalmente sem parametro, correndo contra o relogio, muito atras de veleiros bem maiores.
Demos duas largadas perfeitas na boia e o resto da regata corremos atrás com algumas falhas de manobra. Na primeira regata já deu o esperado. O Touche na frente ganhou com folga no corrigido (3 minutos), nós ficamos em segundo, mas bem atras e o Timberland em terceiro, chegou na nossa frente mas perdeu longe no corrigido. O Sessentão andou atras Timberland. Na 2a regata o vento aumentou e o Sessentão conseguiu chegar na frente do Touche e teve uma bela disputa com o Timberland que andou na frente parte do tempo, mas acabou superado pelo Touche. Nesta regata ganhou o Touche no corrigido com uma vantagem menor (1 minuto), nós ficamos novamente em segundo e o Timberland em terceiro.
No domingo voltamos a disputar duas regatas com vento de leste, variando entre 10 e 16 nós, próximo à Ponta das Canas. As regatas foram parecidas com as do sabado. Nós demos novamente boas largadas na boia, logo cambando para a direita. Na primeira cruzamos na proa do Touche, mas tivemos que arribar para dar água para os dois grandes. Decidimos grudar no Touche, que não conseguiu se livrar de nós na primeira volta e tentar segui-lo de perto e contar com o nosso rating para tentar ganhar ao menos uma regata. Dessa vez deu pelo meio e o Timberland e o Sessentão chegaram primeiro na boia depois foi a vez do Touche e nós muito perto. Mas erramos a subida do balão e perdemos muito tempo, quando começamos a andar eles tinham todos descolado.
Ganhou novamente o Touche com cerca de 3 minutos de diferença para nós e o Timberland corrigiu bem atrás. A ultima regata foi uma repeticção com um pouco mais de vento da primeira.
No próximo fim de semana temos mais um barla sota e a regata de percurso dos moleques dentro do canal. Espero que dê para surprender o Touche porque assim está ficando um pouco monotono.

Para quebrar a monotonia vai um filme que não tem nada a ver com a Mitsubishi cup
É do Matador, TP52 em Cartagena na MedCup. Primeiro uma orsa com muito mar, depois uma baloada e por fim uma manzada na tirada do balão que é transformada numa pescaria cara.

Campeonato Mundial de Melges 32


Fotos por Max Ranchi acima o grande vencedor n.69 de Bliksem um dos representantes dos USA abaixo no popa tres veleiros italianos superados pelo 69
Depois de um campeonato dificil com muito vento e mar em Porto Cervo na Sardenha O veleiro de n 69 Bliksem um dos tres barcos americanos participantes em uma flotilha de 29 (maioría italianos)conseguiu superar os seus rivais italianos e ganhar o mundial da classe. Ficou em segundo o barco italiano Joe Fly com Franceso Bruni de táctico e em terceiro Uka Uka Racing.
Informe oficial más tarde.



Em baixo para complementar o filme emocionante do popa com ventão e ondas da ultima postagem vai filmado de dentro do barco uma planada e a atravessada do campeão (em um treino no primeiro dia)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Campeonato Mundial de Melges 32


Fotos Max Ranchi
Vento e onda no Mundial de Melges 32 na Sardenha. Por enquanto só deu pra fazer 3 regatas pois ontem a Comissão desistiu de fazer a segunda regata depois de uma primeira regata dificil com ventos de quase 25 nós levantando ondas de bom tamanho.
O time Italiano que estava ganhando no primeiro dia caiu ontem para segundo com a vitoria dos americanos no ventão. Estes são agora os novos lideres, mas o campeonato ainda esta muito longe de se definir.
O Melges 32 é hoje o mais rápido dos monotipos de regata (mesmo conceito mas bem maior e mais rapido que o nosso HPE).
filmagem do popa impressionante

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Golfinho por Noctiluca



Como mencionei em postagem anterior o site argentino de Pepe Fuora de Borda está fazendo mais um concurso de contos maritimos. O site publica os finalitas dos concusos anteriores. O conto ganhador de 2007, publicado sob o pseudonimo de Noctiluca(que quer dizer fosforecencia marinha), é simplesmente maravilhoso e resolvi fazer um esfoço de traduzi-lo para o português. O original pode ser acessado pelo link
http://www.pfdb2.com.ar/cuentos/103-cuentos-cuarto-certamen-literario-2007/311-el-delf-noktiluka-primer-premio.html

O Golfinho

Dizem que foi visto em Fortaleza.
Dizem que está preso em Hout Bay.
Dizem que voltou ao Rio(da Prata), mas já não se deixa ver.
Que morreu de uma facada numa briga de bar. E de um infarto na cama de uma puta de Gibraltar.
Eu sei que minha vida não é a mesma desde que se foi.
Minha vida não foi a mesma desde que o conheci. Desde aquele dia na casa de José, naquela festa desmedida, na qual não faltava ninguém, nem mesmo ele.
Jose me apresentou e imediatamente o esqueci, para seguir dando voltas no salão, em busca de outros portos de melhor abrigo onde aportar.
Nunca teria me interessado por alguém como ele. Cabelo negro, revolto, longo e puxado atrás das orelhas, deixando ver uma única argola de ouro do tamanho de uma moeda. Negra a barba aparada. Negro os olhos. Sombrio o olhar. Negro o coração. No bíceps tenso, a tatuagem de uma asa de águia.
Nunca o teria escolhido, mas ele me escolheu. Me observou, me estudou, me seguiu, me perseguiu, me tomou como uma ave de rapina a sua presa indefesa.
Nunca teria me interessado, mas no entanto ...
Navegamos proa ao norte, com a genoa e toda a mestra, com as escotilhas abertas, para receber do Sudeste, uma brisa leve, mas suficiente para nos deslocar com aquele ronronar sibilante que só um veleiro na água salgada pode emitir. As ondas grandes e longas nos empurram com suavidade.
A lua cheia se reflete na camisa branca, ainda mais branca contra a pele escura. Morenos, os dedos grossos seguram a roda do leme. Tensa, como sempre, a asa negra no bíceps. De tanto em tanto uma onda nos alcança e quebra delicadamente contra o cockpit, salpicando os pés morenos. Anda descalço. Eu também. Descalços os dois, meus pés pequenos, pálidos e quase gelados, junto aos dele. Um calafrio me invade com cada borrifo de espuma, que embarca pela popa do 36 pés. Está fresca a noite estival.
Há muitas horas zarpamos de nossa última escala, o porto de Mar Del Plata. Atrás ficaram os molhes, a praia Grande, "la Perla" e "el Torreon". Já atravessamos "la Canaleta" e o ruído da rebentação, também já ficou para traz.
Adiante nos espera o Rio, com sua onda curta e desencontrada, sua costa sempre a vista, as luzes, o calor.
Estamos atravessando a baia de Sanborombon. Ao redor, só água, lua e um tardio golfinho, que desenha seu lombo em um verde limão fosforecente, ao roçar as noctilucas, enquanto busca se acercar curioso. Nos vem seguindo desde Quequén. Será o mesmo? Parece não querer ir embora. Nos cruza a proa, se coloca em paralelo a estibordo. Põe pra fora o nariz na popa e mergulha para bombordo. A linha cintilante verde limão de seu lombo vai e vem, desenhando losangos infindáveis a nossa volta.
Adiante, cada vez mais perto, nos esperam, outra vez, rumores, maldades, invejas, cobiças. Não cobiçarás a mulher do próximo, diz a ele a Bíblia. E a ela? Esta certo cobiçar o homem da próxima? Por acaso está certo?
Adiante, cada vez mais perto, nos espera o Rio. E em algum cais de San Fernando ...

A proa corta a água em dois bigodes fosforescentes. Da cabine chega a voz de Aute (Luiz Eduardo Aute)cantando que me quer com aleivosia (maldade).
Com maldade o quero eu!
Pouco me importa o que o Rio diz dele. De nós. De mim.
Como poderia explicar ao Rio que somos dois mundos em fusão incandescente.
Que eu nunca tinha navegado e agora vivia no barco com ele, de porto em porto, de rio em mar.
Que uma noite, lhe pus um par de sapatos e o levei ao Colón. Que era a Norma de Bellini. Que na Casta Diva ele chorou.
Que compartilhávamos Sabina (Joaquim), Chopin e Falú (Juan). Que bailava flamenco, sapateando no convés de aço, enquanto batia palmas e se ria às gargalhadas de puro prazer. Que me contava historias de além mar, de lulas gigantes, luzes de Santelmo, baleias brancas e do Leviathan. Que eu lhe recitava Whitman, Vallejo, Dario e Patxi Andion e ele me ensinava a desfrutar a glória de Maradó. Que comíamos corvina, recém pescada, de Necochea a Angra dos Reis. Que tomávamos cerveja gelada em águas cálidas e sopa e vinho nas águas do sul. Que nos amávamos como coelhos na toca na cabine de popa e como gaivotas no convés ao sol. Que nos portos o odiava quando voltava cheirando a outra e chorava quando ia embora, me deixando só com a minha mágoa.
E que era feliz! Que a vida tinha se convertido em um copo de água fresca e eu até então morria de sede.
Pouco me importava se tinha que pagar por ele. Era tão pouco perto de tanto que me dava.
Pouco me importava as garrafas vazias de gim, tequila e whisky esparramadas aqui e ali.
Pouco me importava que sua mão forte, apertada em minha nuca, golpeasse minha cabeça contra uma antepara de quando em vez.
Assim era ele.
Que digam. Que falem. O que sabem?
Só eu o posso entender. Eu O comprendo; O decodifico; O abarco; O contenho. Como o cálice ao sangue de Cristo. E ele me ocupa; Me faz plena; me define; me ativa. Como um homem a uma mulher.
Se dizem bêbado, eu digo que se levantem antes de falar.
Se dizem violência, eu digo paixão.
E digo que ele é meu, que é o meu homem e eu sou sua mulher!
Poderá ela com tudo isso?...Não vai agüentar!

O golfinho tardio já vem navegando a um bom tempo ao nosso lado.
Acho que escolheu o lado de barlavento, pois é lá que a lua ilumina e a brisa refresca.
Não dá par ver o seu corpo, mas a linha fosforescente aparece intermitente, como um pesponto na bainha do mar. Ele se inclina e lhe fala. Ele se entende com os animais marinhos. Ele os ama e é por eles amado. Sempre temos algum lobo marinho sobre o convés, alguma toninha saltando por perto, cardumes de tainhas ou anchovas sempre junto ao casco, as vezes até um pequeno tubarão.
O Golfinho não é uma exceção. Estão aí os dois conversando. Do que falarão? Ele se inclina sobre o guarda-mancebo até ficar bem perto do golfinho, como se lhe fosse contar um segredo. Não devem estar falando de mim. Não seria necessário ficar de tão perto para falar de mim. Olho os meus pés, pálidos e gelados, que suportam tudo por ele. Olho as minhas mãos, ontem macias e finas, hoje ásperas e nodosas. Quero ler o meu coração e encontro um poço escuro. A brisa me chama a realidade, roça em minha face uma mecha de cabelo cor de palha, contando-me parte do segredo, fazendo soar um nome de mulher. Não é o meu.
Devo confessar que o sabia mesmo antes de zarpar.
Sabia que meus dias estavam contados. Que nossa escapada apenas me havia comprado mais alguns momentos agônicos. Que entusiasmados pela travessia, mais do que um pelo outro, partiriamos entre a meia noite e o cantar dos galos, justo quando o Rio adormecia. Que navegaríamos sem descanso, longas singraduras. Que entraríamos em Mar Del Plata e em seguida em Quequén. Nos reaprovisonariamos em Madryn, onde o vento quase nos impediria de entrar no porto. Que, no Náutico de Comodoro, nos agasalharíamos com um cordeirinho assado regado com um bom tinto de Chubut. E que, no porto de Ushuaia, haveria uma amarra livre a nossa espera. Que nos encontraríamos com Guerry, que nos levaria, com seu cão e sua 4x4, caçar perdiz. Que, no Beagle, perderíamos nossos copos de vinho em uma repentina adernada, açoitados pelo Wiliwaw. Que, em Puerto Almanza, fundearíamos em uma enseada e iríamos, com o dingue, até a costa, onde despencaria um toró, enquanto juntávamos lenha para assar a perdiz. E, em Puerto Williams, trocariamos com os pescadores, um balde de centojas vivas por um par de garrafas de vinho barato e que tomaríamos uns piscos, no boteco do porto, com uns brasileiros que vinham de tão longe e com uns noruegueses que vinham de mais longe ainda. Que Harberton seria um remanso para descansar. Que o Farol do Fim do Mundo nos esperava com uma tempestade. Que aportaríamos, de regresso, outra vez em Comodoro, em Quequén e Mar Del Plata e que toda costa Atlântica nos veria passar. E que este seria nosso canto do cisne. Já o sabia eu, antes de zarpar.
E ele agora o está contando ao Golfinho. Lhe está contando de quando chegar de novo ao Rio. De um encontro em algum cais de San Fernando. De uma cabeleira sedosa e de mãos suaves e finas. De pés provocantes, calçados em saltos altíssimos. Da frescura da pele. Da inocência na alma. De dez anos menos no corpo e no coração. Não lhe está falando de mim.
O tardio Golfinho vai se distanciando devagar e ele se inclina cada vez mais. Está dependurado no guarda mancebo como um acrobata deitado sobre a corda bamba. Quer segurar o Golfinho, que se lhe escapa fazendo, ao redor de suas mãos, graciosos desenhos verde limão, brincando com ele mas sem se deixar agarrar.
Ela nunca poderá entender a sua linguagem animal.
Ela nunca o poderá conter. Nunca o poderá abarcar.
Ele é meu.
Neste momento decido que ele o será para sempre.
O Golfinho se vai em direção ao leste, assustado pelo mergulho. Um contorno fosforescente de espuma marca o lugar de um bracejar desesperado e hipnotiza os meus olhos que olham fixamente sem nada ver. Estou congelada em uma tomada final cinematográfica, com as mãos nodosas agarradas ao guarda mancebo, bem onde ele antes se inclinava.
Desvanecida a espuma me parece ver uma linha verde limão de um rastro se deslocando sob a água em direção a leste pela esteira deixada pelo Golfinho... Não tenho certeza... Pode ser minha imaginação... Aqui em baixo se apagou toda a atividade...
Passados alguns minutos a obscuridade é total. A lua desaparece. Nenhum rastro fosforescente para se reunir a algum Golfinho.
Firmo a roda do leme, caço as escotas para orçar ao encontro do vento que chega e cujas rajadas se desenham na água logo adiante.
De dentro da cabine, interminável, Aute, continua a me querer com aleivosia.
A cada tanto uma onda irrompe suavemente no cockpit esparramando noctilucas nos meus pés descalços e me trazendo lembranças do Golfinho...
Ainda estou em Samborombon.
A frente me espera a proteção do Rio, a onda curta e desencontrada, as luzes, a costa, o calor.
E a triste certeza de que a partir de hoje ele me pertence para toda a eternidade.
Dizem que o viram em Valparaiso.
Dizem que está internado em um hospício em Trinidad.
Dizem que voltou ao Rio mas que não navega mais.
Que morreu de pneumonia em Fernando de Noronha e de AIDS em um hospital no Senegal.
Que em noites de lua se vêem dois Golfinhos em Samborombon.
Eu sei que minha vida não é a mesma desde que ele se foi. Nunca mais será a mesma!


Te quiero con Aleivosia Luiz Eduardo Aude

Regata do Camarão



A largada da Regata que contou com a participação de 39 embarcações no Canal de São Sebastião. Foto de Silas Azocar/PMI publicação Conexão Litoral

Regata do Camarão une festividade ao prazer de velejar

A tradicional Regata do Camarão, realizada no sábado 12, reuniu os amantes da vela em Ilhabela, num clima que era de confraternização e amizade. A regata que este ano está na sua nona edição, mais uma vez cumpriu o seu papel: proporcionar além do prazer de velejar, uma grande festa aos velejadores.
Realizada pela Diretoria Náutica da Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação de Ilhabela com apoio do Pindá Iate Clube e BL3, a competição contou com a participação de 39 embarcações das classes Oceano e Monotipos. A largada da regata foi feita em frente ao píer da Vila, ás 13h, onde largaram primeiramente os barcos da classe Oceano, e em seguida, os de Monotipos.
Os barcos de Oceano tiveram que contornar uma bóia localizada em frente à Praia do Perequê e em seguida, contornar outra bóia, desta vez em frente à Praia do Sino, retornando para o local de chegada, em frente ao píer da Vila. O vento durante a regata era constante, entre 10 e 15 nós, o que aumentou a competitividade entre os barcos.
A classe de Monotipos teve que cumprir somente parte do percurso, contornando somente a bóia da Praia do Perequê e retornando ao local de chegada. Nesta classe, a maioria dos velejadores era composta pelos alunos da Escola de Vela, tanto para as crianças como para os adultos, que aprovaram a regata.
"Esta foi a minha primeira regata e gostei muito. Ilhabela, pela primeira vez, está dando a oportunidade para nós, adultos, de poder aprender a velejar e participar desta modalidade tão fascinante que é a vela”, declarou o fotógrafo Luis Daniel, aluno da Escola de Vela para Adultos.
Edmar Alves, que está a frente da Diretoria Náutica da Prefeitura de Ilhabela declara que o objetivo principal é popularizar a vela, e cita como exemplo que as aulas de Vela são compostas por funcionários públicos, recepcionistas de hotel, médicos, aposentados, fotógrafos, secretárias e outras profissões, que enxergam na vela, uma modalidade a ser explorada.
"Nossa idéia é cada vez mais incentivar a vela no município, popularizando-a, dando apoio e suporte às pessoas que querem iniciar na vela e proporcionar eventos como este para que barcos saiam de suas poitas e possam participar de regatas”, declarou o diretor náutico, Edmar Alves.
Estiveram presentes na regata, a bordo do veleiro Orson, o prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci e o ex-prefeito de São Sebastião, Juan Garcia. “Foi uma bela regata, onde mais uma vez, pudemos reforçar a vocação náutica que Ilhabela tem para a vela”, declarou o prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci.
Após a regata, foi feita a Cerimônia de Premiação no Pindá Iate Clube, reunindo os velejadores numa grande festa de confraternização entre os participantes com a tradicional Canoa de Cerveja e como o nome da regata já diz: um belo “Coquetel de Camarão”.
Resultado da 9ªRegata do Camarão

Bico de Proa a: 1o Newport, 2o Kella Wee, 3o Ventania
Bico de Proa b: 1o Flyer, 2o Clipper, 3o Shagdu
RGS: 1o Oceano, 2o Matrix ,3o Palmares
ORC club: 1o Pimenta, 2o Alegria
ORC Internaonal: Orson
Delta 32:1o Oceano,2o Matrix,3o Asbar
Optimist:1o Helio Barreto, 2o Mateus Nunes, 3o San
Holder: 1o Jonas Muro, 2o Murilo Dinis, 3o Alison Silva
Snipe: 1o Edson e Edmar Barros, 2o Bruno e Ricardo
Lightning: Marcela, Fernanda, Minga, Robson e Marcão
HC 14: Feliciano
A Cat: Gaby
Barco azul: Ronion, Daniela, Luiz Daniel, Maria Vilma